Esforços conjuntos
para desenvolvimento de tecnologias

Relacionamento e desenvolvimento são palavras de ordem no que se refere ao Tecnopuc.
O termo, aliás, já é conhecido na comunidade gaúcha, seja pelas pessoas que transitam
na Avenida Bento Gonçalves, pela comunidade da Pontifícia Universidade Católica do
Rio Grande do Sul ou por quem faz parte de atividades de desenvolvimento de novas
tecnologias. Mas nem todos sabem exatamente o que significa.
Nome dado ao Parque Científico e Tecnológico da PUCRS, Tecnopuc é o
espaço físico destinado à instalação de empresas com relação estabelecida com a
Universidade. Com três focos principais, Tecnologia da Informação e Comunicação,
Energia e Biotecnologia, o parque é um componente de um conjunto de ações da
instituição de ensino com o intuito de desenvolver essa relação com empresas das
respectivas áreas, segundo seu diretor, Roberto Astor Moschetta.
A busca de parcerias com entidades da iniciativa privada acontece por um dos
princípios básicos para a constituição de uma universidade. “Uma instituição privada
como a PUCRS tem das mensalidades de seus alunos sua principal receita. Como
universidade, pelo que define as diretrizes e bases da educação, é obrigada a ter três
estruturas mínimas interligadas: ensino, pesquisa e extensão. A pesquisa é constituída,
não somente, de cursos de pós-graduação, mas também de projetos de Pesquisa e
Desenvolvimento (P&D). Essas pesquisas são em geral muito caras. Se a instituição for
utilizar os recursos de mensalidade para pagar estes custos as tornariam-nas muito
caras, diminuindo a competitividade no mercado de ensino superior”, relata Moschetta. A resolução deste problema se deu pela utilização de um
modelo, utilizado em países de primeiro mundo, em que a
universidade, empresas e, muitas vezes, o governo desenvolvem
um relacionamento de desenvolvimento mútuo.
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| Diretor do Parque Tecnológico da PUCRS - Tecnopuc, Roberto Astor Moschetta |
Para estruturar a negociação e administração dessas
parcerias, foi criada, há cinco anos, a Agência de Gestão
Tecnológica. O diretor conta que “a AGT foi o embrião do que
hoje é o Tecnopuc”. Atualmente mais seis entidades periféricas
fazem parte da Rede Inovapuc, que contemplam desde a
transformação de idéias em projetos e fomento ao
empreendedorismo, à gestão de propriedade intelectual.
Não é somente a universidade que lucra com a inovação
tecnológica e evolução em P&D. “Em alguns casos,
essas pesquisas precisam estar instaladas na universidade,
pois podem utilizar os laboratório, pesquisadores e alunos
da instituição”, conta o diretor. As empresas implantadas no
parque tecnológico desfrutam de diversas vantagens, principalmente
usufruindo das condições necessárias para estarem
atualizadas e competitivas em termos de evolução tecnológica,
com baixos custos de instalação. “Estar no Tecnopuc significa
não só estar inserido em uma comunidade de intensa pesquisa
e inovação, que conta com outras grandes empresas nacionais
e internacionais, mas também estar mais próximo do meio
acadêmico”, afirma Mario Rodrigues Bastos, sócio da
DBServer, empresa de Tecnologia da Informação. O resultado
da parceria pode ser observado pelo crescimento da empresa. Segundo Bastos, desde a data da inserção no parque, fevereiro
de 2004, a equipe praticamente dobrou, principalmente por
fatores como a proximidade com empresas, clientes e a visibilidade
no mercado.
Outra parte envolvida no financiamento de muitos
projetos é o governo, sobretudo o federal. Por meio de agências
de fomento ao desenvolvimento tecnológico, como
Finepe e CNPq, ele garante que se estabeleça competitividade
em um contexto global, não criando dependência de
tecnologias externas.
Talvez os maiores beneficiados em todo o processo
sejam os alunos da universidade. Além de ser grande parte
dos 2500 trabalhadores do parque, desempenham diversas
outras funções. “Todo o processo de pesquisa que envolve um
pesquisador da universidade, em geral, envolve seus alunos
dos programas de mestrado e doutorado, tornando-os bolsistas”,
relata Moschetta. Outro benefício destinado aos estudantes
é a reversão de parte dos valores de locação pagos
pelas empresas em bolsas de estudo, um bom exemplo são
as duas maiores companhias instaladas, Dell e HP. “Hoje
nosso mestrado de informática tem 100% das suas vagas
com bolsas de empresas, eles estão em uma universidade
privada, mas com bolsa integral”, conta o diretor.
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| Projeto do novo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento do TECNOPUC |
Devido à alta remuneração das áreas de atuação
dessas empresas, mesmo funcionários em início de curso
podem custear seus estudos, este é o caso do aluno do
curso de Sistemas de Informação, Gustavo Silva. O estudante
aproveita, também, a experiência no ambiente profissional,
adquirido na DBServer: “na verdade, como comecei
cedo na empresa, aprendi mais com o contato com os profissionais
da área do que com a própria faculdade”, revela.
Em um curto espaço de tempo, a PUCRS conseguiu
excelentes resultados com a implementação desse modelo
de parceria. A ponto de ser, hoje, o principal exemplo de
desempenho em instituições privadas no país, atrás somente
de universidades federais. Em conseqüência das positivas experiências
nesse período, com mais de 40 empresas parceiras,
já estão programadas duas fases de expansão do Parque
Tecnológico. Em primeiro lugar, ainda em fevereiro, inicia a
construção de 20 mil metros quadrados próximos aos prédios
utilizados atualmente. O segundo passo será destinar uma área com mais de 15 hectares, em Viamão, para o desenvolvimento
de muitos outros projetos e parcerias.
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