EDIÇÃO DO MÊS TECNOLOGIA


Ano 5
Edição 16
Fevereiro/Março/Abril 2008


Esforços conjuntos para desenvolvimento de tecnologias

Gastronomia

Relacionamento e desenvolvimento são palavras de ordem no que se refere ao Tecnopuc.
O termo, aliás, já é conhecido na comunidade gaúcha, seja pelas pessoas que transitam
na Avenida Bento Gonçalves, pela comunidade da Pontifícia Universidade Católica do
Rio Grande do Sul ou por quem faz parte de atividades de desenvolvimento de novas
tecnologias. Mas nem todos sabem exatamente o que significa.

Nome dado ao Parque Científico e Tecnológico da PUCRS, Tecnopuc é o espaço físico destinado à instalação de empresas com relação estabelecida com a Universidade. Com três focos principais, Tecnologia da Informação e Comunicação, Energia e Biotecnologia, o parque é um componente de um conjunto de ações da instituição de ensino com o intuito de desenvolver essa relação com empresas das
respectivas áreas, segundo seu diretor, Roberto Astor Moschetta.

A busca de parcerias com entidades da iniciativa privada acontece por um dos princípios básicos para a constituição de uma universidade. “Uma instituição privada como a PUCRS tem das mensalidades de seus alunos sua principal receita. Como universidade, pelo que define as diretrizes e bases da educação, é obrigada a ter três estruturas mínimas interligadas: ensino, pesquisa e extensão. A pesquisa é constituída, não somente, de cursos de pós-graduação, mas também de projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Essas pesquisas são em geral muito caras. Se a instituição for utilizar os recursos de mensalidade para pagar estes custos as tornariam-nas muito caras, diminuindo a competitividade no mercado de ensino superior”, relata Moschetta. A resolução deste problema se deu pela utilização de um
modelo, utilizado em países de primeiro mundo, em que a universidade, empresas e, muitas vezes, o governo desenvolvem um relacionamento de desenvolvimento mútuo.

Tecnologia
Diretor do Parque Tecnológico da PUCRS - Tecnopuc, Roberto Astor Moschetta

Para estruturar a negociação e administração dessas parcerias, foi criada, há cinco anos, a Agência de Gestão Tecnológica. O diretor conta que “a AGT foi o embrião do que hoje é o Tecnopuc”. Atualmente mais seis entidades periféricas fazem parte da Rede Inovapuc, que contemplam desde a transformação de idéias em projetos e fomento ao empreendedorismo, à gestão de propriedade intelectual.

Não é somente a universidade que lucra com a inovação tecnológica e evolução em P&D. “Em alguns casos, essas pesquisas precisam estar instaladas na universidade, pois podem utilizar os laboratório, pesquisadores e alunos da instituição”, conta o diretor. As empresas implantadas no parque tecnológico desfrutam de diversas vantagens, principalmente usufruindo das condições necessárias para estarem atualizadas e competitivas em termos de evolução tecnológica, com baixos custos de instalação. “Estar no Tecnopuc significa não só estar inserido em uma comunidade de intensa pesquisa e inovação, que conta com outras grandes empresas nacionais e internacionais, mas também estar mais próximo do meio acadêmico”, afirma Mario Rodrigues Bastos, sócio da DBServer, empresa de Tecnologia da Informação. O resultado da parceria pode ser observado pelo crescimento da empresa. Segundo Bastos, desde a data da inserção no parque, fevereiro de 2004, a equipe praticamente dobrou, principalmente por fatores como a proximidade com empresas, clientes e a visibilidade no mercado.

Outra parte envolvida no financiamento de muitos projetos é o governo, sobretudo o federal. Por meio de agências de fomento ao desenvolvimento tecnológico, como Finepe e CNPq, ele garante que se estabeleça competitividade em um contexto global, não criando dependência de tecnologias externas.

Talvez os maiores beneficiados em todo o processo sejam os alunos da universidade. Além de ser grande parte dos 2500 trabalhadores do parque, desempenham diversas outras funções. “Todo o processo de pesquisa que envolve um pesquisador da universidade, em geral, envolve seus alunos dos programas de mestrado e doutorado, tornando-os bolsistas”, relata Moschetta. Outro benefício destinado aos estudantes
é a reversão de parte dos valores de locação pagos pelas empresas em bolsas de estudo, um bom exemplo são as duas maiores companhias instaladas, Dell e HP. “Hoje nosso mestrado de informática tem 100% das suas vagas com bolsas de empresas, eles estão em uma universidade privada, mas com bolsa integral”, conta o diretor.

Tecnologia
Projeto do novo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento do TECNOPUC

Devido à alta remuneração das áreas de atuação dessas empresas, mesmo funcionários em início de curso podem custear seus estudos, este é o caso do aluno do curso de Sistemas de Informação, Gustavo Silva. O estudante aproveita, também, a experiência no ambiente profissional, adquirido na DBServer: “na verdade, como comecei cedo na empresa, aprendi mais com o contato com os profissionais da área do que com a própria faculdade”, revela.

Em um curto espaço de tempo, a PUCRS conseguiu excelentes resultados com a implementação desse modelo de parceria. A ponto de ser, hoje, o principal exemplo de desempenho em instituições privadas no país, atrás somente de universidades federais. Em conseqüência das positivas experiências nesse período, com mais de 40 empresas parceiras, já estão programadas duas fases de expansão do Parque Tecnológico. Em primeiro lugar, ainda em fevereiro, inicia a construção de 20 mil metros quadrados próximos aos prédios utilizados atualmente. O segundo passo será destinar uma área com mais de 15 hectares, em Viamão, para o desenvolvimento de muitos outros projetos e parcerias.