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Mauro Henrique Renner
Procurador-Geral de Justiça do Estado
do Rio Grande do Sul |
Ministério Público,
Autonomia e Efetividade
Assumi a chefia institucional do Ministério Público - MP em abril de 2007,
depois de um duplo processo, como determina a Constituição, de prévia eleição pelos
Promotores e Procuradores de Justiça e de escolha, dentre lista tríplice, pela Governadora
do Estado. Atendendo ao sistema dos freios e contrapesos, meu mandato, de
dois anos, só pode ser destituído por deliberação da maioria absoluta da Assembléia
Legislativa, nos casos e na forma de lei complementar estadual. Trata-se de assegurar
autonomia administrativa e funcional ao Ministério Público, o que está a serviço da
independência funcional. O constituinte originário fez constar que é crime de responsabilidade
do Presidente da República (e por simetria dos Chefes dos Executivos
Estaduais) atentar contra o livre exercício do Legislativo, do Judiciário, do MP e dos
Poderes constitucionais das unidades da Federação. O legislador reafirmou a situação,
ao criar o Conselho Nacional do MP (criou ainda o Conselho Nacional de Justiça), que
zela pela nossa autonomia e controla nossa atuação administrativa e financeira.
Não somos um Poder de Estado, mas uma instituição essencial ao Estado,
indissoluvelmente ao lado dos Poderes de Estado para, com autonomia e independência,
fiscalizá-los. Para movimentar o Poder Judiciário, quando necessário para a
defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais
indisponíveis. Ou para encontrar soluções extrajudiciais, sempre que possível e
por consenso.
Superada a questão, é importante debater tema mais premente para o cidadão:
efetividade, vital para o Estado democrático de direito – cujas promessas, especialmente
de direitos sociais, nem sempre se cumprem. Daí que um dos eixos transversais
da administração do MP é a gestão profissional que, no rumo da eficácia,
qualifica e aprimora os serviços prestados à sociedade. Nossa decisão é trabalhar
com prioridades (objetivos estratégicos) e com metas, a partir de indicadores de
efetividade, tudo derivado de planejamento e com um viés prático, com olhos nos órgãos de execução. Avançamos, assim, na cultura da Gestão Estratégica.
No último dia 14/12 (dia nacional do MP), oferecemos à sociedade nosso
Mapa Estratégico, que sintetiza os compromissos de impacto social nos próximos 15
anos. Até 2022, queremos focar seis grandes demandas sociais e contribuir para
alcançarmos resultados efetivos nestes temas: educação de qualidade, saúde integral
e melhor qualidade de vida, criminalidade e corrupção reduzidas, criança e adolescente
protegidos, meio ambiente preservado, democracia e ordem jurídica garantidas.
Investindo em pessoas e tecnologias e melhorando nossos processos internos
chegaremos lá e seremos reconhecidos como instituição efetiva na transformação da
realidade social e protetora dos direitos fundamentais, por meio da indução e da
fiscalização de políticas públicas – uma instituição parceira, acessível, independente, ética, responsável, atuante e efetiva. |