Um novo olhar sobre o
mundo

Copesul Cultural traz palestrantes internacionais para pensar a
contemporaneidade na capital gaúcha.

Freire, produtor-executivo do evento e assessor
de Comunicação e Marketing da Copesul |
Ícones do pensamento mundial estão trazendo a Porto Alegre novas maneiras
de compreender a complexidade do mundo contemporâneo. Promovido
pelo Copesul Cultural, o curso de altos estudos Fronteiras do Pensamento reafirma
a cidade em seu papel de vanguarda intelectual. Até 4 de dezembro, quando
o evento se encerra, nada menos do que 40
palestrantes de 11 países terão passado pela
Capital e discutido temas da atualidade.
O assessor de Comunicação e
Marketing da Copesul, produtor-executivo do
evento, João Ruy Dornelles Freire classifica
o projeto como inovador e ousado. Para ele,
trata-se de um aprimoramento do Copesul
Cultural, que teve início há dez anos, e criou
na comunidade uma identificação da marca
Copesul com o debate e o fomento da cultura. “O Fronteiras nasceu para contribuir com
o pensamento nacional. É um evento transversal,
sem posições políticas e com o único
objetivo de difundir o conhecimento”, destaca.
Uma platéia de 1,3 mil pessoas ocupou os auditórios
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
(UFRGS) e da Pontifícia Universidade Católica do Rio
Grande do Sul (PUC), desde março, para ouvir o que
pensam figuras como o ex-ministro da Educação da França
e filósofo Luc Ferry e a polêmica escritora Camille
Paglia. Os passaportes para acesso às conferências já
eram escassos 40 dias antes da abertura. “A sociedade
estava ávida por isso. Temos mercado para produto cultural
de alta qualidade.”, diz Freire.
Superprodução
O curso, idealizado por Luiz Fernando Cirne Lima,
na época diretor-superintendente da Copesul, foi pensado
e executado em seis meses – de junho a dezembro
de 2006. Para o historiador Gunter Axt, um dos integrantes
da comissão organizadora, a experiência é um
verdadeiro case de gestão: “houve grande dificuldade
em convencer os intelectuais a participarem. O evento
não existia, e o Brasil se comunica pouco com o mundo.
O Rio Grande menos ainda. Mas contamos com uma
equipe dinâmica que ajudou a pensar o conceito e a
montar a programação”.
A cada encontro, cerca de 150 pessoas são mobilizadas,
divididas em áreas como curadoria, relacionamento,
recepção dos conferencistas, produção, assessoria
de imprensa, publicidade, site, documentários
e livros.
Com visões diferentes e, às vezes, contrárias de
um mesmo tempo, o Fronteiras busca mostrar que é
possível interpretar o mundo com novos modelos, “menos
explicativos e formatados, como os do passado”,
enfatiza o historiador.

Historiador Gunter Axt |
“Achávamos que, de alguma forma, o Fronteiras
do Pensamento poderia
contribuir difusamente na
ampliação dos horizontes
conceituais das pessoas,
de uma consciência coletiva”,
comenta Axt. Segundo
ele, já é possível
perceber que os participantes
conseguem pensar
sobre a realidade
sociocultural contemporânea
em novos modelos e
formas interpretativas. Estão conseguindo dominar
tal complexidade de
maneira racional.
“Eu acho que as pessoas andavam muito deprimidas,
tristes. Elas perceberam que os modelos
explicativos ruíam e não davam mais conta da complexidade
sociocultural. Todos os analistas foram otimistas.
Até os mais críticos trouxeram, em algum momento,
uma mensagem positiva para o futuro. O impacto
dessas contribuições, ainda não conseguimos mensurar,
mas já é possível sentir que elas vão mexer com a cidade
e o Estado”.
Uma nova edição em 2008
A aceitação do Fronteiras do Pensamento não só
garantiu uma segunda edição do evento para 2008 como
também o levou para Salvador, na Bahia, cidade sede
da Braskem, que desde março assumiu o controle
acionário da Copesul. Entre as novidades, ainda nãodivulgadas
oficialmente, mas adiantadas pela Best Home,
está o foco em estética, arte e cultura das palestras.
De acordo com o produtor-executivo do evento, João
Ruy Dornelles Freire, os recursos de comunicação
multimídia serão trabalhados com ênfase para estimular
as pessoas a pensarem ainda mais, além do Fronteiras.
Muda também o formato. Em Porto Alegre, os encontros
passarão a ser quinzenais e somente na reitoria
da UFRGS. “Fizemos alguns testes ao longo do ano e
concluímos que assim seria mais produtivo”, concluiu.
Mais pensamento além das fronteiras
Além dos 26 encontros, os participantes do Fronteiras
do Pensamento têm à disposição o site do projeto
na Internet (www.fronteirasdopensamento.com.br). Pela
rede, é possível ter acesso ao perfil dos 40 conferencistas,
calendários e um blog onde temas de cada palestra
são discutidos. Para a próxima edição, a idéia é explorar
mais as possibilidades de outros meios multimídia.
Também estão sendo preparados, ainda para essa
edição, quatro cadernos direcionados aos professores e
estudantes do ensino médio (paradidáticos), um livro de
ensaios com as conferências e os textos produzidos pelos
convidados e quatro documentários de 54 minutos
cada. O material será distribuído gratuitamente em escolas
e, no caso dos documentários, em universidades,
TVs educativas, festivais e espaços culturais.
Fronteiras em números
26 encontros
40 palestrantes
1,3 mil participantes
Do público, 57% são mulheres e 43% homens
A faixa etária predominante é 31 e 50 anos
Na platéia, 54% têm nível superior, 37% mestrado
e 8% doutorado
Entre os participantes, 25% trabalham com educação,
15% em setores públicos, 12% na indústria,
6% no judiciário e 7% são considerados formadores
de opinião
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