EDIÇÃO DO MÊS FRONTEIRAS DO PENSAMENTO


Ano 4
Edição 15
Novembro/Dezembro 2007 / Janeiro 2008


Um novo olhar sobre o mundo

Copesul Cultural traz palestrantes internacionais para pensar a contemporaneidade na capital gaúcha.


Freire, produtor-executivo do evento e assessor
de Comunicação e Marketing da Copesul

Ícones do pensamento mundial estão trazendo a Porto Alegre novas maneiras de compreender a complexidade do mundo contemporâneo. Promovido pelo Copesul Cultural, o curso de altos estudos Fronteiras do Pensamento reafirma a cidade em seu papel de vanguarda intelectual. Até 4 de dezembro, quando o evento se encerra, nada menos do que 40 palestrantes de 11 países terão passado pela Capital e discutido temas da atualidade.

O assessor de Comunicação e Marketing da Copesul, produtor-executivo do evento, João Ruy Dornelles Freire classifica o projeto como inovador e ousado. Para ele, trata-se de um aprimoramento do Copesul
Cultural, que teve início há dez anos, e criou na comunidade uma identificação da marca Copesul com o debate e o fomento da cultura. “O Fronteiras nasceu para contribuir com o pensamento nacional. É um evento transversal, sem posições políticas e com o único objetivo de difundir o conhecimento”, destaca.

Uma platéia de 1,3 mil pessoas ocupou os auditórios da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC), desde março, para ouvir o que pensam figuras como o ex-ministro da Educação da França e filósofo Luc Ferry e a polêmica escritora Camille Paglia. Os passaportes para acesso às conferências já eram escassos 40 dias antes da abertura. “A sociedade estava ávida por isso. Temos mercado para produto cultural de alta qualidade.”, diz Freire.


Superprodução
O curso, idealizado por Luiz Fernando Cirne Lima, na época diretor-superintendente da Copesul, foi pensado e executado em seis meses – de junho a dezembro de 2006. Para o historiador Gunter Axt, um dos integrantes da comissão organizadora, a experiência é um verdadeiro case de gestão: “houve grande dificuldade em convencer os intelectuais a participarem. O evento não existia, e o Brasil se comunica pouco com o mundo. O Rio Grande menos ainda. Mas contamos com uma equipe dinâmica que ajudou a pensar o conceito e a montar a programação”.

A cada encontro, cerca de 150 pessoas são mobilizadas, divididas em áreas como curadoria, relacionamento, recepção dos conferencistas, produção, assessoria de imprensa, publicidade, site, documentários e livros.

Com visões diferentes e, às vezes, contrárias de um mesmo tempo, o Fronteiras busca mostrar que é possível interpretar o mundo com novos modelos, “menos explicativos e formatados, como os do passado”, enfatiza o historiador.

 


Historiador Gunter Axt

“Achávamos que, de alguma forma, o Fronteiras do Pensamento poderia contribuir difusamente na ampliação dos horizontes conceituais das pessoas, de uma consciência coletiva”, comenta Axt. Segundo ele, já é possível perceber que os participantes conseguem pensar sobre a realidade sociocultural contemporânea em novos modelos e formas interpretativas. Estão conseguindo dominar tal complexidade de maneira racional.


“Eu acho que as pessoas andavam muito deprimidas, tristes. Elas perceberam que os modelos explicativos ruíam e não davam mais conta da complexidade sociocultural. Todos os analistas foram otimistas. Até os mais críticos trouxeram, em algum momento, uma mensagem positiva para o futuro. O impacto dessas contribuições, ainda não conseguimos mensurar, mas já é possível sentir que elas vão mexer com a cidade e o Estado”.

Uma nova edição em 2008
A aceitação do Fronteiras do Pensamento não só garantiu uma segunda edição do evento para 2008 como também o levou para Salvador, na Bahia, cidade sede da Braskem, que desde março assumiu o controle acionário da Copesul. Entre as novidades, ainda nãodivulgadas oficialmente, mas adiantadas pela Best Home, está o foco em estética, arte e cultura das palestras. De acordo com o produtor-executivo do evento, João Ruy Dornelles Freire, os recursos de comunicação multimídia serão trabalhados com ênfase para estimular as pessoas a pensarem ainda mais, além do Fronteiras. Muda também o formato. Em Porto Alegre, os encontros passarão a ser quinzenais e somente na reitoria da UFRGS. “Fizemos alguns testes ao longo do ano e concluímos que assim seria mais produtivo”, concluiu.

Mais pensamento além das fronteiras
Além dos 26 encontros, os participantes do Fronteiras do Pensamento têm à disposição o site do projeto
na Internet (www.fronteirasdopensamento.com.br). Pela rede, é possível ter acesso ao perfil dos 40 conferencistas, calendários e um blog onde temas de cada palestra são discutidos. Para a próxima edição, a idéia é explorar mais as possibilidades de outros meios multimídia.

Também estão sendo preparados, ainda para essa edição, quatro cadernos direcionados aos professores e estudantes do ensino médio (paradidáticos), um livro de ensaios com as conferências e os textos produzidos pelos convidados e quatro documentários de 54 minutos cada. O material será distribuído gratuitamente em escolas e, no caso dos documentários, em universidades, TVs educativas, festivais e espaços culturais.

Fronteiras em números
26 encontros
40 palestrantes
1,3 mil participantes
Do público, 57% são mulheres e 43% homens
A faixa etária predominante é 31 e 50 anos
Na platéia, 54% têm nível superior, 37% mestrado e 8% doutorado
Entre os participantes, 25% trabalham com educação,
15% em setores públicos, 12% na indústria,
6% no judiciário e 7% são considerados formadores de opinião