EDIÇÃO DO MÊS MODA


Ano 3
Edição 9
Maio/Junho/Julho
2006


Louis Vuitton, objetos de desejo

"Para o meu bisavô, Georges Vuitton, o mais importante era assegurar que os objetos pessoais do cliente viajariam com o maior conforto". Patrick-Louis Vuitton

Tudo começou quando Louis Vuitton, em busca de sustento, arranjou emprego como aprendiz de um grande artesão de malas em Paris. Aprendeu rápido a criar malas com conceito famoso pela alta qualidade. Abriu sua loja em 1854. O negócio prosperou, e seis anos depois ele instalou seu primeiro ateliê em Asnières, ainda em funcionamento. É lá que os artesãos projetam os protótipos e produzem a bagagem rígida da companhia, as cobiçadas bolsas e as encomendas especiais. É o ponto de partida de 15 ateliês de produção, onde o know-how, adquirido ao fim de 152 anos, faz parte da fabricação de diferentes linhas de produtos desenvolvidas, nas últimas décadas, por uma companhia que até hoje foi bem sucedida em alcançar um equilíbrio entre a nova tecnologia e a eterna tradição. Um centro de treinamento e um museu são outras atividades importantes deste lugar histórico.

Qualidade garantida

Louis Vuitton era um mestre na arte de embalar os pertences de princesas e rainhas para suas longas viagens, e com o passar do tempo foi aperfeiçoando-se nesse conceito e adaptando-se as necessidades de sua clientela. Como as pessoas começaram a fazer pequenos passeios e viagens mais curtas, com isso não precisavam carregar tantas coisas consigo. Segundo a assessoria da empresa no Brasil, a primeira bolsa para viagem criada por Vuitton foi o modelo Steamer Bag em 1901, confeccionada em uma lona grossa e muito resistente. A partir daí foram surgindo outras variações e tamanhos, que hoje são objetos ligados a moda, e não mais a necessidade de transportar pertences. Assim nasceram as bolsas Louis Vuitton. A sua enorme aceitação, a um alto custo, é explicado na maneira com que esses produtos são criados, tratados como verdadeiros objetos de desejo. Marc Jacobs é o estilista responsável pela grife e, conforme a empresa, é considerado o mais importante estilista da atualidade, por conhecer profundamente o mundo da moda, e ao criar peças únicas, com ricos detalhes e extremamente elaboradas, desperta o interesse e transforma bolsas em peças de colecionadores.


Museu da Louis Vuitton, na cidade de Asnières
Modelo: Globe Shopper

Para o consultor de moda, Xico Gonçalves, é o grande investimento em marketing, qualidade e atualização da imagem da marca que explicam o sucesso da Vuitton junto às mulheres. "Produtos de luxo obrigatoriamente exigem a aliança de classe, design e qualidade, até para justificar o alto custo", diz. Ainda, segundo a assessoria da empresa, ter uma Vuitton representa conhecer o valor de uma peça especial, feita manualmente e, é claro, estar na moda, pertencendo a um grupo selecionado de pessoas que tem acesso ao luxo. Na visão de Xico, isso se traduz no ato de se ter um produto quase que exclusivo, "um símbolo de status comparado a um jóia, falando uma linguagem que qualquer mulher em qualquer parte do mundo sabe traduzir", conclui.

No Brasil, a marca tem duas lojas, uma no Rio de Janeiro e outra em São Paulo. A companhia tem seu próprio departamento de arquitetura, onde funcionários de tempo integral trabalham no design e homogeneidade de suas boutiques no mundo inteiro. Cada loja reflete o ambiente e a cultura locais, mas todas compartilham a mesma estética exclusiva da grife. Por seus valores arquitetônicos, cada novo local cultiva as qualidades de luz, ordem e tranqüilidade que são apreciados no "velho" ateliê em Asnières.

 

 


A Maxi Bucket chegará ao Brasil em maio. Pertence a coleção de acessórios primavera / verão 2006 desenhada por Marc Jacobs. Os tons brancos, passando pelos beges e marrons, lembram as cores do deserto. Os bordados em pedras semi-preciosas conferem o glamour e a elegância da mulher Vuitton. Mini vestidos com desenhos gráficos e cores fortes foram inspirados nas tribos de índios da América do Norte, são elas laranja, vermelho, pink, roxo, etc. Valor R$56.500,00.

A Cruise Collection 2006 foi desenhada por Marc Jacobs numa viagem aos anos 50. Materiais como renda, algodão, crochês evidenciam a influência do artesanato na coleção. Inspirada no verão europeu somado a elegância da década, a Cruise Collection 2006 apresenta formas ultrafemininas e compreende as cores do Sol (amarelo e ouro) misturadas com tons pastéis (cor de rosa e bege) em um cenário branco. Valor R$ 4.450,00.

Na coleção Onatah / 2006, que traz Gisele Bündchen como garota-propaganda, Marc Jacobs reservou surpresas. Pela primeira vez na história da grife, bolsas em camurça, onde as flores do tradicional monograma aparecem como desenhos muito delicados, perfurados na própria tela da bolsa. Valor R$ 10.100,00.