EDIÇÃO DO MÊS FÓRUM DA LIBERDADE


Ano 3
Edição 9
Maio/Junho/Julho
2006


O poder no Brasil em debate

"Juntos, podemos criar um País onde nossos filhos sejam livres para tomar decisões, e que tenham orgulho da nação que lhes entregamos" (Leandro Gostisa, presidente do IEE)

Porto Alegre foi palco de debate sobre "O Poder no Brasil: Quais os Direitos e Deveres dos Governos?", com a 19ª edição do Fórum da Liberdade, promovido pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE) nos dias 3 e 4 de abril, na PUCRS. Cerca de 6 mil pessoas participaram do evento realizado anualmente e reconhecido como o principal encontro para incentivar a discussão, a liberdade de expressão e a democracia. Para tratar destes temas, diversos palestrantes nacionais e internacionais apresentaram suas idéias para discussão, entre eles, destaca-se o Prêmio Nobel em Economia em 1993, Douglass North, e o economista Hernando de Soto.

No início do evento foi entregue à empresária Margaret Tse o "Prêmio Libertas". Ela foi a primeira mulher a ser escolhida para receber este reconhecimento, conferido aos empreendedores que se destacam no trabalho pela valorização dos princípios de economia de mercado e de respeito ao estado de direito democrático. "A sociedade precisa entender qual a função administrativa dos governos. E é função de entidades, como o IEE, mobilizarem a população. Vivemos uma desvirtualização do estado de direito, que é garantido pela constituição, mas não é respeitado. A liberdade é o mais precioso fruto da sociedade", declara Margaret.

O presidente do IEE, Leandro Gostisa, enfatizou a importância dos valores de liberdade: "Quando cada um de nós compreender a importância da nossa liberdade é que conseguiremos criar um ambiente capaz de sonhar e de se desenvolver". O presidente acredita que as condições para construir um Brasil melhor foram e estão sendo desenvolvidas. "Juntos, podemos criar um País onde nossos filhos sejam livres para tomar decisões, e que tenham orgulho da nação que lhes entregamos".

Autoridades, como o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, e o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, e falaram sobre a importância do evento para o desenvolvimento de uma consciência empreendedora. Após a abertura oficial, foi realizada a palestra especial com o Prêmio Nobel de Economia em 1993, Douglass North, sobre o tema "Os Líderes e o Estado de que Precisamos".

North falou sobre as dificuldades que envolvem reformas efetivas nos sistemas econômicos. Para ele, as teorias econômicas que estão disponíveis atualmente são inadequadas para a realidade, hoje mais complexa e sujeita a constantes mudanças. "O que funcionou no passado não necessariamente, será utilizado no futuro", criticou. Em relação ao mercado político, North afirmou que não existem boas teorias econômicas disponíveis e que a solução é "encorajar a competitividade política real, através de conhecimento e de informação para as pessoas".

O segundo dia de evento iniciou com painel abordando a temática O Brasil em busca de reformas políticas e econômicas, que teve a presença dos economistas Paulo Guedes e Gustavo Franco, e também do presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Nelson Sirotsky. Para o debate Uma visão histórica, cultural e comparativa do Estado, o evento contou com a participação do especialista em história política, econômica e social da América Latina, Carlos Sabino, e o diretor e economista sênior do Fraser Institute, o think tank de maior reconhecimento do Canadá, Niels Veldhuis.

Também esteve presente no evento o economista e fundador do Instituto para a Liberdade e Democracia (Lima, Peru), Hernando de Soto, que defendeu a propriedade formal como forma de crescimento econômico em painel inserido no tema Os líderes e os Estados de que precisamos. De Soto levantou algumas questões explicando porque as expectativas dos países latino-americanos, em relação ao capital, não foram preenchidas. Entre as questões, estariam as tradições culturais, uma vez que "nem todas as sociedades estão aptas a adotar uma economia de mercado", tendo como um dos problemas a falta de confiança existente nesses países, diferentemente da realidade anglo-saxã. Como exemplo, citou uma pesquisa onde ficou demonstrado que, no Brasil, apenas 3% das pessoas confiam umas nas outras, em contraste com outros países europeus onde o índice supera 60%. Uma das causas apontadas por ele é que os sistemas de identificação não estariam funcionando, já que, hoje, globalmente, "são necessários documentos determinando quem você é para que seja possível uma identificação entre cerca de seis bilhões de pessoas".

Douglass North

O terceiro painel destacou o tema O Estado ideal rumo a um modelo de instituições sociais. O CEO e presidente da Atlas Economic Research Foundation dos Estados Unidos, Alejandro Chafuen; o diretor da ONG Libertad y Desarrollo do Chile, Cristián Larroulet; e a presidente da Mont Pelerin Society, Victoria Curzon Price, foram os palestrantes que analisaram pontos específicos e características de governos.

O Fórum da Liberdade encerrou abordando o tema O que o RS precisa fazer?. Os palestrantes foram Denis Rosenfield, filósofo e consultor de análises públicas para empresas; Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do Grupo Gerdau e coordenador da Ação Empresarial; e Raul Velloso, consultor econômico, especializado em Análise Macroeconômica e Finanças Públicas.