EDIÇÃO DO MÊS EMPREENDEDORISMO


Ano 3
Edição 9
Maio/Junho/Julho
2006


Junior Achievement estimula a cultura empreendedora


O trabalho da organização consiste em aplicar programas de educação
econômico-prática voltados para o mundo dos negócios e da livre iniciativa

Era uma vez uma mulher que fazia salgadinhos para vender. Ela trabalhava muito, mas não via o resultado de seu esforço. Um dia seu filho fez uma planilha de custos, calculando qual deveria ser o preço de venda do produto para que ela tivesse lucro, podendo ao mesmo tempo repor sua matéria-prima. O negócio cresceu a ponto de gerar dois empregos. O que esta história tem de diferente? O principal personagem dela, o filho, é um jovem estudante que fez o planejamento, acima descrito, a partir do que aprendeu em um dos programas da Junior Achievement. Esta é uma história real, contada cheia de satisfação pela diretora-executiva da Junior Achievement no Rio Grande do Sul, Helena Weiler.

O que é preciso para ser voluntário

Orientadores (Ensino Fundamental e Médio): profissionais e estudantes que atuam no mercado de trabalho e tenham experiência prática no mundo dos negócios.

Advisers (orientadores do Programa Mini Empresa): profissionais que atuam no mercado de trabalho e que tenham experiência prática em uma das seguintes áreas: recursos humanos, marketing, finanças e produção. Não necessitam ser graduados.

Mais informações pelo telefone (51) 3227.5095 ou no site www.ajars.org.br

A Associação iniciou em 1919, nos Estados Unidos, por iniciativa de dois industriais que verificaram a necessidade de suprir nos estudantes, e nas pessoas de uma maneira geral, uma deficiência na formação básica em relação ao mundo dos negócios. No Brasil, a Junior Achievement teve início em 1994, no Rio Grande do Sul - Estado que ainda sedia a unidade nacional - por iniciativa do empresário André Loiferman, e de Wilma Resende Araújo Santos, hoje diretora superintendente da organização. Neste ano, se alcançou a meta de abranger os 27 estados brasileiros. A filial gaúcha, também com 11 anos de atuação, fechou 2005 com quase 470 mil alunos atendidos, envolvendo mais de 11 mil voluntários.

O trabalho da organização consiste em aplicar programas de educação econômico-prática voltados para o mundo dos negócios e da livre iniciativa, em estudantes de Ensino Fundamental, a partir da 4ª série, quando as atividades fazem parte da grade curricular das escolas; e de Ensino Médio, quando a participação é feita por adesão. Um dos programas mais conhecidos é o Mini Empresa, realizado com alunos do 2° ano do Ensino Médio, que propõe a organização e operação simulada de uma empresa por um semestre, proporcionando experiência prática em negócios.

Além de Porto Alegre, a Junior Achievement RS atende cerca de outras 50 cidades do Estado. As atividades são organizadas a partir de diversos fatores conciliados, como a disponibilidade de tempo dos voluntários com a grade curricular das escolas. Também são feitas abordagens com empresas parceiras, que estimulam seus funcionários a serem voluntários. "Nossa intenção é fazer com que as pessoas se apaixonem pelo projeto. E isso de fato acontece. O trabalho do voluntário é precioso para nós, uma vez que a atividade que ele desempenha beneficia diversos estudantes", declara Helena.

O resultado do trabalho realizado com os estudantes gera mudanças visíveis em seu comportamento, como a questão de saber lidar com o orçamento familiar e entender as limitações financeiras que muitas vezes surgem. Também são descobertos vários talentos, como excelentes vendedores que se destacam nas feiras onde são vendidos os produtos das Mini Empresas. A partir destes talentos a Junior Achievement forma um cadastro que fica à disposição das empresas interessadas em contratar jovens empreendedores que se destacaram em suas atividades.

"Setenta por cento dos nossos atendimentos estão concentrados no ensino público, porque os empresários, conscientes de seu papel de responsabilidade social, sentem-se muito mais recompensados em saber que seus recursos são direcionados para quem mais precisa. Aqueles que estão em escolas particulares fatalmente terão mais oportunidades", explica.

Um terço dos alunos atendidos pela Junior Achievement nacional se concentra no Rio Grande do Sul, o que talvez ocorra em função das empresas gaúchas contribuírem bastante com ações desta natureza. "O empresário gaúcho é diferenciado. Ele é sensível, e se não adere em um primeiro momento, é porque já está engajado em outra causa", declara Helena. "Outro aspecto muito importante é que, desde 2003, somos certificados como Organização de Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), o que nos ajuda ainda mais na captação de recursos, uma vez que a empresa que investe na Junior Achievement tem 70% do valor investido revertido. Isso repercute em atividades com milhares de jovens", completa.

Jaime Wagner é o novo presidente da Junior Achievement. Abaixo, ele sintetiza sua satisfação por estar assumindo esta responsabilidade na organização:

"Nossa missão é fomentar a cultura empreendedora e os valores morais que a sustentam. Num País com muitas carências é difícil para os jovens entender o paradigma da abundância, que a verdadeira riqueza é criada, e que a união de um mais um é mais do que dois. É mais natural pensar sob a ótica da escassez, em que a riqueza parece estática, só podendo ser conquistada se for trocada ou tirada de alguém. A empresa é a célula matriz da geração de riqueza e das trocas justas e contratadas. Entretanto, acredito que todos precisam empreender em suas vidas. A vida produtiva e criativa, aquela que vale a pena ser vivida, é uma série de empreendimentos. Nesse sentido, empreendedorismo é sinônimo de duas qualidades morais: propósito claro e força de vontade. Espero contar com o espírito empreendedor das empresas que já atuam no mercado e que são as mantenedoras desse esforço. O maior ganho é o crescimento do mercado empresarial: mais empreendedores é sinônimo de mais empresas, e de empresas mais competitivas; mais empresas competitivas é sinônimo de mais riqueza circulando. Para isso, vamos buscar agregar mais empresas nesse esforço tão gratificante. Empresas de todos os portes e, particularmente, as empresas jovens que são as que mais inspiram a juventude. Vamos buscar ainda um maior grau de interiorização, e também consolidar os sistemas de gestão da própria organização. Para isso, conto com a colaboração de uma equipe altamente motivada, e de empresas como o Escritório de Engenharia Joal Teitelbaum, que não por acaso, mas justamente por atuar segundo os padrões morais do empreendedorismo, estão entre as que mais se destacam em termos de qualidade de produtos, serviços, de ambiente de trabalho e de inserção comunitária".